Conversei com Fernando Augusto, daqui de João Pessoa, aprovado em 1º lugar no concurso da UFPB em 4º no da UFPE. Cada experiência é única e intransferível, mas sempre é possível aprender um pouco com o que os outros têm a dizer.
Antes de mais nada, parabéns. Fernando, tudo bom?
Obrigado Gustavo. Tudo tranqüilo.
Sempre quis te perguntar isso e acho que este é o momento. Sua mãe também é bibliotecária. Como foi a reação dela quando você decidiu ser bibliotecário também?
A princípio sua reação foi de preocupação. Ela acreditava que o mercado de trabalho para bibliotecário era muito escasso, além de não haver boas oportunidades de carreira. O meu ingresso no curso de Biblioteconomia foi em 2003, já tem alguns anos. Certamente agora a opinião da minha mãe já é totalmente diferente. Há boas chances de sermos até companheiros de trabalho, já pensou? Uma mãe ter um filho que trabalhe com ela, esteja ali todo dia? Hoje eu acho que ela agradece todo dia pela minha decisão de fazer Biblioteconomia.
Além da questão genética, o que mais te levou a ser bibliotecário?
Ao escolher o curso, o único conhecimento que eu tinha da área era o fato de minha mãe ser bibliotecária, só isso. A partir do momento que eu comecei a fazer Biblioteconomia na UFPB foi que eu passei a conhecer e a ter certeza de que era nessa área que eu queria atuar. Eu não entrei na Universidade decidido a ser bibliotecário. Foram os anos de graduação que fizeram com que eu decidisse por essa área. Acredito que como esse existem vários outros casos. Quantas pessoas eu já não vi entrarem no nosso curso com o pensamento de posteriormente transferirem para outro. E logo após algum tempo mudam de opinião, ou seja, decidem pela permanência em Biblioteconomia. Muitos acreditam que isso se deve pela falta de iniciativa do aluno, pela falta de interesse em buscar aquilo que realmente deseja. Eu percebo diferente. Na grande maioria dos casos, vejo que aqueles que antes entraram no nosso curso já pensando em como fazer para mudar para outro, hoje passam a se identificar com o curso de Biblioteconomia, algo que é gratificante para os que lutam pelo desenvolvimento dessa área.
Como é o estudante Fernando, você ainda não se formou, durante a graduação em biblioteconomia?
Eu sou uma das provas de que para passar em concursos não precisa ser necessariamente o primeiro da turma. Estou quase formado, faltam apenas alguns dias. Durante o meu período de graduação eu fui um aluno com um desempenho normal. Não tirava notas excelentes na maioria das vezes, mas também raramente tirava alguma nota baixa. O fato de começar a estudar para concursos também ajudou na minha vida acadêmica, pois eu passei a ficar mais responsável, ter mais compromisso com os estudos e com as obrigações na graduação. Basicamente é isso, não estou entre os melhores do curso, mas me esforcei para que os meus anos de graduação fossem enriquecedores.
Eu lembro de você em um Fórum que teve em João Pessoa, em 2004. Você participou de outros eventos estudantis?
Eu participei de alguns eventos estudantis sim. É uma experiência fantástica. O meu primeiro foi um Fórum em Recife, acho que em 2003. Eu estava no segundo período do curso, era o “fera” da turma. O dinossauro era Júlio “rainha”. Nessa viagem eu passei a conhecer pessoas da nossa área de vários estados, também pessoas daqui mas que já estavam mais adiantadas. Também de um Fórum aqui (o que você mencionou) como coordenador de eventos. Os outros foram um ENEBD em Recife e dois EREBD’S, em Natal e em Maceió. Por último eu fui ano passado para o congresso da UNE em Brasília, por fazer parte do DCE aqui da UFPB. Participei também do CA de Biblioteconomia durante um ano. São momentos que se tornam inesquecíveis para quem vivencia, quem participa, momentos únicos. Eu sempre tive interesse em participar de movimentos estudantis, políticos. Acho até que é um pouco disso que falta nas pessoas que fazem parte do nosso curso, pelo menos atualmente aqui no da UFPB. O bibliotecário tem que ser um formador de opinião, e para isso deve ter uma maior atuação política, não aquela política partidária, isso é mais pessoal, mas sim uma política que sirva uma formação de idéias e conceitos que possam garantir um melhor desempenho do profissional bibliotecário.
Em que momento você decidiu se preparar para concursos?
Eu tinha começado a estudar para o concurso da PRF (área administrativa) em 2006, mas de uma forma muito irresponsável, sem foco. Especificamente para Biblioteconomia, eu comecei a minha preparação a partir do Curso para Concursos em Biblioteconomia, ministrado por você, aqui em João Pessoa no mês de dezembro de 2007. Foram quatro sábados de aula. Logo depois eu passei a estudar em casa com o material disponibilizado neste cursinho e a baixar provas de outros concursos, comprar livros, etc. Inclusive eu aproveito a oportunidade para te agradecer pelo conhecimento que você passou para mim e tantos outros concurseiros. Certamente foi essencial. Ainda hoje você sempre está à disposição para tirar alguma dúvida minha. Também agradeço a Geysa pelos deliciosos lanches trazidos nos intervalos das nossas aulas. Estudar depois de um lanche daquele com certeza ajudava na compreensão das questões.
Como foi a sua preparação para concursos?
Certo. Eu fiz até agora três concursos para bibliotecário. UFRN, UFPE e UFPB. Pode-se dizer que minha preparação se traduz em duas palavras: planejamento e disciplina. Antes de começar qualquer estudo, eu fazia um quadro em uma folha e colocava os dias da semana. Dentro desses dias eu colocava o horário que eu teria disponível para estudar e quais as disciplinas que eu iria estudar nesse tempo. Aí está o planejamento. A disciplina representava a minha obrigação em tentar cumprir exatamente o planejado no cronograma de estudo, já que se eu não cumprisse um horário estabelecido, por exemplo, isso iria prejudicar os outros horários. A cada momento eu avaliava o meu estudo e a partir daí poderia passar a estudar uma matéria mais complicada e passar a estudar menos outras já bastante compreendidas. Os finais de semana eu procurava tentar fazer exercícios e resolução de provas anteriores. Acho também que o meu diferencial é o fato de gostar muito de ler, o que faz com que eu me saía bem em provas com questões discursivas. Um grande exemplo disso foi nas provas que eu fiz para a UFPE e UFRN. Em Natal, no 1º resultado, eu estava na 51º posição. Após a correção das questões discursivas eu pulei para a 11º posição, minha colocação final. Já em Recife foi importante a minha nota na questão discursiva, o que elevou em muito a minha média final. Por fim, eu acredito que quem está estudando para concursos deve avaliar realmente aquilo que precisa estudar mais, que tem mais deficiência. Muitas vezes não adianta muito você ter uma nota boa na parte específica e se sair mal nas provas de redação, português. Começar a gostar de ler já é um bom caminho.
Mas você praticou provas discursivas e redação para esses concursos?
Especificamente para esses concursos a minha maior prática não foi a elaboração de redações ou de questões discursivas, isso eu não utilizei muito, mas sim os resumos que eu faço dos livros que eu não tenho e que pego por empréstimo nas bibliotecas. Eu leio o livro uma vez e logo depois leio novamente, fazendo um resumo dos capítulos e retirando aquilo que eu acho que pode cair em concurso. Acho que esta prática me dá uma capacidade de síntese e objetividade muito forte, o que ajuda muito em redações e questões discursivas. Além de uma grande possibilidade de encontrar algo parecido nas questões objetivas, já que muitas são retiradas exatamente como estão nos livros, ou até mesmo com poucas modificações.
Tu chegou a estudar ao mesmo tempo para concurso e para a graduação. Como foi isso pra você?
Para mim foi positivo. Quando eu comecei a estudar para concursos da nossa área faltavam dois períodos para o término da minha graduação. Inicialmente eu não pude me dedicar exclusivamente a nenhuma das opções, tinha que administrar tanto a Universidade quanto os concursos, mas também serviu como uma revisão de matérias que eu já tinha visto há algum tempo, além de outras, como indexação, tesauro, que eu paguei na Universidade no mesmo tempo que comecei a estudar para concursos. Vendo agora o meu desempenho nestes concursos e nas disciplinas que eu cursei enquanto estudava para eles, posso dizer com toda certeza que a decisão foi certa. Por um outro lado, cada caso tem sua especificidade. Eu não sei se recomendaria, por exemplo, a uma pessoa que está no início do curso, a já começar a estudar para concursos, não sei se é o correto. No meu caso já estava faltando pouco para terminar a graduação. Vai depender muito da dedicação e do esforço de cada um.
Qual foi a maior dificuldade que você encontrou nessa preparação?
Eu acredito que tenha sido compreender e praticar uma filosofia de vida para quem está estudando para concursos. É difícil você ficar (pelo menos para mim) numa sexta à noite no quarto estudando e seus amigos, primos, começam a ligar para você, chamando para sair, etc. No início da preparação eu sofri um pouco, mas a partir do momento que eu comecei a me sentir arrependido quando saia, vendo que estava perdendo horas de estudo, eu percebi que estava começando a me preocupar em desenvolver uma rotina de estudos. Depois que eu compreendi que ao estudar e ser aprovado eu estaria possibilitando a oportunidade de depois, em um futuro próximo, fazer tudo aquilo que eu fazia e muito mais, como viajar, comprar coisas que eu amo, como cd’s, som, eu então deixei (naturalmente) de lado diversas atividades e passei a ter como foco a aprovação em um concurso público.
Como você se sente podendo escolher entre dois empregos públicos sem ainda não estar formado?
Na verdade a felicidade com a aprovação em dois concursos se mistura com a angústia em terminar logo o curso e poder estar habilitado para admissão. A minha principal satisfação é ter a oportunidade de já sair da graduação para o mercado de trabalho, na área que eu escolhi. Quem já ficou ou está desempregado sabe o desespero que é. Eu batalhei para que isso não acontecesse comigo, foram alguns meses de privações para muitos anos de benefícios. Espero ter discernimento para optar por aquela oportunidade que seja mais satisfatória para mim e depois disso poder realmente desfrutar as recompensas advindas do meu esforço.
Não vou perguntar o que você pretende fazer agora. Vou perguntar diferente. Onde e como você imagina estar em 2018?
Cara…, 2018? Daqui a uns 10 anos… Vou tentar. Eu tenho um próximo objetivo na minha vida profissional que é poder trabalhar como bibliotecário em alguma empresa que integre a valorização do profissional da informação com uma boa estrutura de trabalho e uma ótima remuneração. Vou me esforçar para isso a partir de agora. Na minha vida pessoal, como você disse que é entre junho e julho de 2018, ano de Copa do Mundo…. Eu espero está bem de saúde e financeiramente para poder assistir ao vivo nos estádios, ainda não sei aonde, a Copa de 2018. Quem sabe o oitavo título mundial da seleção brasileira. É “um pouco” difícil não é? Não custa nada sonhar um pouco. Mas em 2018 eu estarei lá.
Qual mensagem você deixa para nossos leitores que também estão na caminhada para concursos?
A melhor mensagem que posso deixar é que nesse tempo de preparação para concursos há algo que eu sempre acreditei e que hoje acredito com mais força ainda: é a certeza de que haverá recompensa para todos aqueles que estão nessa batalha em busca da sua oportunidade. Através de um estudo disciplinado e planejado os resultados virão, os objetivos serão alcançados. Portanto não pode haver desânimos ou desistências. Os anos de satisfação que a aprovação em um concurso público pretendido por alguém possibilita são bem maiores, se comparados com o tempo dedicado ao estudo. Desejo boa sorte a todos que estão nessa caminhada e que também me chamem quando forem comemorar a aprovação em um concurso público, que certamente virá. Até mais…
Preciso dizer que ainda me lembro de Fernando durante o curso, com uma pilha de livros da época de sua mãe, me perguntando o que ainda servia. E quase tudo ainda é da mesma forma…
Muito obrigado, Fernando.
Força nos estudos!!!
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Oi Fernando, parabéns! A minha experiência foi parecida com a sua, graduação e concursos. Eu me formei em março, mas desde o 3º período da facul eu já estudava para concursos, priorizava a faculdade, mas durantes os recessos eu só queria saber de ler livros voltados para concursos…Desejo-te muito sucesso e luz no seu caminho! Abraços
É isso aí Fernando… você é mais um exemplo de que dedicação, disciplina e planejamento é sucesso garantido para alcançar o objetivo almejado!
Abraço!
Mais uma vez PARABÉNS colega!
é importante ter um depoimento desses, poi serve como estímulo. Muito bacana, parabéns!
Gustavo, você recebeu de alguem a prova do Ministério publico de goiás pra bibliotecário?
Se você a tem poderia me enviar por e-mail? mirialves@gmail.com
estou precisando dessa prova urgente, e se vc tiver vai me ajudar bastante. abraços
Ah, se eu tivesse essa coragem pra estudar. Nem parece o Fernando que eu conheço!
Fernando, só essa semana vi o resultado do concurso da UFPB e fiquei MUITO feliz e orgulhosa por você e por todos os nossos alunos e ex-alunos que foram aprovados, demonstrando a força da Biblioteconomia da Paraíba!!! É uma satisfação ver que apesar das dificuldades que passa a educação pública, nossos alunos estão se destacando no mercado. Parabéns!!! Você merece!!!
Q injeção de ânimo Fernando!
Começarei em 2008.2 o 6° período de Biblio na UFPE e assim como você pegarei pesado no que se refere à concurso mesmo não sendo da área!
Fiquei admirada pela sua determinação e força de vontade!
Sucesso hj e sempre!
Xêro.